domingo, 22 de março de 2026

Minha trajetória lésbica

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Eu tava tomando banho e devido a maior lesbica estadunidense, vulgo chapelona ter vindo pro Brasil, eu fiquei pensativa sobre a minha trajetória lésbica, e queria eternizar isso em um post.

Começando por quando eu era criança, que eu nunca tive um crush no fundamental. Eu lembro que sempre quis distancia dos garotos, e quando as meninas começaram a ter interesse neles, para eu não me sentir por fora, eu sentava na minha cama e pensava "qual menino que eu vou gostar?" e escolhia o menos pior da sala. Eu lembro até hoje quando as meninas explanaram que eu "gostava" dele pra ele e para o resto da turma, e eu senti uma vergonha absurda, pq acima de tudo, aquilo não era verdade, e todo mundo tava acreditando em uma mentira sobre mim. Foi horrível. Nessa vibe, eu tive uns 3 crushs no período do fundamental.

Eu lembro a primeira vez que eu pensei em meninas como algo romântico, e foi no nono ano. Até lá, eu não tinha interesse em ninguém, eu só queria saber de brincar de boneca e ver vídeo de minecraft no youtube, então sim, demorou para eu começar a ver meninas de uma maneira romântica. Enfim, foi quando eu tava indo para o NR, e todo mundo ficava muito em cima de mim perguntando quando eu perderia o bv, e todo mundo falava que o NR era um ótimo momento, pq eu não ia conhecer o menino e não teria mais que olhar na cara dele. E aí em pensei: "se aparecer alguma menina lá, quem sabe", mas ainda era muito no campo das ideias, no fundo eu sabia que não iria ficar, pq primeiro: eu não queria que ninguém soubesse disso, segundo: eu não tinha certeza disso e, terceiro: eu não sentia ainda uma real vontade de ficar com ninguém, e não queria que isso acontecesse com uma pessoa aleatória.

Passando para 2020, eu lembro que foi bem no começo da pandemia, ainda em março, que eu comecei a ver muitos tiktoks de meninas bissexuais contando como se entenderam como bi, e nesse momento eu comecei a me entender melhor, e a pensar que eu realmente poderia ser aquilo.

Mas aí vem o problema: eu não queria contar para ninguém sobre aquilo, com medo de me julgarem. Eu lembro que as primeiras pessoas que eu falei a respeito foi com a gaby e com a julia, e ai elas me contaram que também se entendiam assim, e eu me senti muito acolhida ,e elas viraram meu refugio sobre isso.

Assim eu vivi o ano de 2020, e no meio de 2021 eu queria ter uma virada de chave na minha vida, então eu pintei meu cabelo de rosa/roxo e voltei para o ensino médio após a pandemia, e em qualquer mínimo assunto que eu pudesse incluir que eu era LGBT eu incluía, pq tava cansada de ficar no armário e queria filtrar só boas pessoas para essa nova etapa, e funcionou! Fiz muitos amigos que levo na vida até hoje e que são e foram muitos especiais para o meu desenvolvimento. Acho que a principal foi a brune, e sou muito grata por ter achado alguém que me entendesse tão bem no gabarito. 

E desse jeito eu vivi os próximos anos, com a certeza que eu era bi, e as pessoas sempre me perguntavam "mas vc é bi mesmo? pq vc nunca fala de homem" e eu respondia que sim, que só tinha preferencia em mulheres. Mas foi em 2024? eu acho que do nada apareceu um vídeo no meu tiktok de uma lésbica falando sobre como ela se entendia bissexual, até que ela viu que era só heterossexualidade compulsória. E sim, já tinham me aparecido vídeos sobre isso antes, mas nunca tinha batido do mesmo jeito que esse bateu. Parece que do nada virou uma chave na minha cabeça, e esse pensamento me consumiu por semanas. Eu sentia que durante anos tudo o que eu acreditava tinha sido uma mentira, e que agora eu não sabia mais quem eu era ou poderia ser. Mas ai a ficha foi caindo: eu nunca tive nenhum crush, todos os homens que eu achava que gostava tinham que ser muito específicos e na maioria da vezes (ou sempre) inalcançáveis, enquanto para meninas eu não tinha toda essa seleção, e também como todos os homens que eu beijei foram os piores beijos da minha vida, e como em todos eu não via a hora de acabar com aquilo. Ai eu percebi que tudo o que eu queria era a validação de homens, mas não eles exatamente. 

Eu lembro quando eu falei isso com a Carol, após semanas perturbada, e foi libertador falar sobre isso com quem eu amo, e eu sabia que me entenderia, e assim esse assunto ficou mais leve, e comecei a me entender melhor. 

Hoje em dia eu vejo que os sinais sempre foram muito claros, e tenho muito orgulho de quem eu sou e de tudo o que eu passei para em entender, sei que todas essas fases foram importantes para eu me entender do jeito que me entendo hoje. 

Dito tudo isso: morte ao patriarcado e a homofobia. Além disso, tragam a Renee Rapp para o Brasil em um preço que eu possa pagar e data que eu possa ir.

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