quinta-feira, 26 de março de 2026
como ser sociável?
segunda-feira, 23 de março de 2026
O mal do Alzheimer
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Agora pouco eu e minha mãe fomos lá na minha vó para fazer uma companhia pra ela. Esperávamos que ela fosse estar no sofá, mas chegando lá a porta estava fechada. Tocamos a campainha e batemos na porta, e nada dela abrir ou dizer oi, então pegamos a chave e abrimos. Chegando lá, ela já estava deitada no quarto com a luz apagada, disse que não tinha nada de bom passando na TV e que queria ficar deitada. Ficamos uns 5 minutos lá com ela e voltamos pra cima, e fomos abrir as câmeras para ver a quanto tempo ela tava deitada.
Para a nossa surpresa, ela não só ouviu a campainha como foi até a... janela? olhar se tinha alguém. Obviamente ela não achou nada e voltou para a cama. Eu e minha mãe ficamos chocadas que ela tá tão ruim, e cada dia pior: ela não faz mais o crochê e os bordados (a gente acha que ela não lembra mais como faz) e também não vê mais TV (achamos que ela não sabe mais mudar de canal, até porque ela falou isso um dia para a minha mãe), ela não limpa mais a casa, não consegue mais fazer comida.... tá cada dia pior.
É muito difícil ver a minha vó assim, e dói muito saber que todo o contato que eu tive com ela minha vida toda foi tão nichado, e agora que, por bem ou por mal, ela tá aqui perto de mim, eu não consigo aproveitar a presença dela, tanto por causa da doença, mas também porque ela é MUITO orgulhosa e não aceita ajuda de ninguém, e não quer contato com nenhuma pessoa.
E pensar que ainda vai ficar muito pior... e que talvez num futuro a gente não tenha condições de bancar uma cuidadora pra ela, o que quer dizer que vamos ficar cada vez mais sobrecarregados dela, e só tem eu, minha mãe e meu pai aqui. Por mais que minha madrinha ajuda no que dá, ela tá longe, e no fim cai tudo nas costas da minha mãe. Eu tenho muito medo do jeito que a minha vó vai ficar, e pensar que pode ser logo, que a gente não sabe quanto tempo mais ela vai me reconhecer dói muito.
Ela é a única vó/vô que eu tenho ainda, e se parar pra pensar, eu quase não tenho mais, tem praticamente só o corpo dela ali.
Queria que a minha vó Cida ainda fosse viva, queria compartilhar coisas com ela e ouvir histórias, coisas que simplesmente não dá pra fazer mais com a vovó Inês. Infelizmente eu aproveitei muito pouco da vó Cida viva, em quesito de ouvir o que ela tinha a falar sobre a vida, e isso faz muita falta.
Odeio que minha mãe também tenha o gene do Alzheimer, e eu espero todo dia que ela não tenha a doença, eu simplesmente não sei se conseguiria suportar ir perdendo minha mãe aos poucos de um jeito tão cruel. E odeio também que eu tenha essa merda, e pensar que talvez eu não lembre de coisas que eu amo tanto agora é horrivel.
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